Os custos de espaço e a produção de peças para serem veiculadas nas mídias
eletrônicas tradicionais costumam ser proibitivos para as pequenas e médias empresas no
Brasil que esperam aumentar as vendas no mercado externo. Os veículos de promoção mais
acessíveis são os websites e os impressos que, dependendo da complexidade desejada,
podem ser produzidos pela própria empresa, bastando observar alguns preceitos básicos e
dispor de um microcomputador.
Entre os impressos, os folders podem ser utilizados como material para stands, envio
postal, apoio para agentes de venda, divulgação de ofertas. O controle sobre a
quantidade e o perfil do público atingido é uma grande vantagem, facilita o ajuste da
capacidade produtiva à demanda e viabiliza seu uso para testar o mercado, evitando que a
empresa desperdice oportunidades. A possibilidade de personalização das peças em
função dos clientes é um atrativo a mais, principalmente quando se trata de públicos
segmentados.
Os websites, que podem ser percebidos como folders eletrônicos, potencializam um
esforço global, disponibilizando acesso a um país alvo e a outros não cogitados a
princípio, também tornando mais fácil o contato direto com o consumidor final. São
interativos com os potenciais clientes, permitindo que selecionem informações sobre a
empresa e o produto, estabelecendo um canal rápido entre cliente e empresa. A esta, cabe
simplesmente disponibilizar o máximo de informações em links para facilitar e
incentivar a exploração do website.
Os custos de divulgação de um website são irrisórios: a inscrição em sites do
tipo ferramenta de busca (Alta Vista, Yahoo etc.) e de instituições governamentais
costuma ser gratuita, e só os serviços adicionais, como banners (propagandas que
funcionam como links) em sites de grande visitação, implicam custo maior, mas
possibilitam maior retorno e fornecem pesquisa sobre o perfil do público que os visita.
De acordo com o objetivo pretendido agente de vendas, geradores de expectativas
(teasers), levantamento de interessados (leads) deve-se decidir sobre estilo,
formato das seções, número de páginas, tamanho do texto, ilustrações. Fundamental é
que a peça promocional seja capaz de despertar atenção, interesse, levando o potencial
consumidor a comprar. Assim, é preciso que assinale um interesse do receptor. Um envelope
graficamente bem produzido ou com uma mensagem atraente já é bom começo, no caso de uma
mala direta. Nos websites, cores e animações bem utilizadas podem produzir esse efeito,
mas, cuidado: o excesso de recursos pode ter efeito contrário e acabar tornando difícil
a navegação.
Mencionar as características do produto que propicia os benefícios é conveniente
para assegurar maior confiabilidade, mas expor seus benefícios é mais importante: evita
o risco de que, numa leitura menos atenta, o receptor da mensagem não os perceba. É
conveniente que todo apelo ou mensagem promocional apresente uma proposta efetiva, de
preferência uma vantagem exclusiva do produto ou da empresa.
A escolha das cores é importante para a identificação e aceitação da peça
publicitária e, em decorrência, do produto que está sendo divulgado. Mas é preciso ter
em vista os costumes do país alvo. Deve-se evitar elementos semelhantes à bandeira
nacional, ou outros símbolos e emblemas do país importador.
Os resultados tendem a ser otimizados à medida que é traçado um rigoroso
acompanhamento das respostas obtidas, como registrar: quem respondeu; onde foi localizado;
como respondeu; quando; o que adquiriu; em que condições; etc. Esses dados podem não
apenas servir para uso particular da empresa, visando analisar a rentabilidade e
reformular estratégias, como também se prestam a ser organizados como banco de dados a
ser vendido para terceiros.
No entanto, a publicidade não passa de um instrumento de marketing. Portanto, ao
esforço de promoção deve anteceder um planejamento mercadológico. O conteúdo da
mensagem deve ser compatível com o conceito do produto, este com os hábitos e
necessidades do consumidor e a forma da mensagem com os valores do consumidor.O exportador
precisa estudar as exigências do mercado, suas possibilidades e determinar quem pode
atingir, conhecendo não só o cliente como a concorrência.
Antes de definir seu público alvo, a empresa deve ter um quadro a respeito dos
hábitos, exigências e motivações dos clientes, as variedades e qualidades dos produtos
e o comportamento da concorrência. Conhecer o cliente possibilita traçar ofertas e
mensagens atraentes, como localizar outros consumidores. É interessante estudar as peças
publicitárias dos concorrentes: serve como parâmetro para avaliar as possibilidades,
destacar os pontos fortes e as coincidências involuntárias. Conhecer pessoalmente o
mercado, encomendar folhetos e listas de preços dos concorrentes, colecionar cópias de
seus anúncios e outros materiais publicitários, perguntar sobre seus prazos de entrega,
condições de pagamento e ofertas especiais constituem-se em excelentes fontes de
pesquisa indicativa dos elementos a serem explorados na mensagem.
Mas o exportador deve lembrar que o que é percebido como agradável e correto pode
mudar de país para país. É preciso conhecer e respeitar a cultura de cada local,
obtendo informações específicas sobre as característi-cas de cada um. Não é fortuito
que na produção de material de promoção para as exportações vale a máxima:
"pense globalmente, mas aja localmente".